domingo, 3 de junho de 2012

Júlio Colares

Julio Colares (JULIO CESAR COLARES) nasceu em Belém do Pará, a 1º de julho de 1888.

Aos 12 ânos, redigiu um jornalzinho manuscrito "O Cravo", juntamente com Franklin Washington Danin (F. W. Danin) e outros colaboradores, e onde escrevia de preferência versos.

Fez o curso primário nesta capital, no "Ateneu Paraense" e no "Liceu Benjamin Constant", tendo iniciado o curso de humanidades no "Instituto Cívico-Jurídico Paes de Carvalho" e concluído no "Colégio Alfredo Gomes", do Rio de Janeiro.

Retornando ao Pará, ingressou no comércio, abandonando a idéia de seguir o curso jurídico, para o qual se sentia inclinado. Em 1930, entrou para a redação da "Folha do Norte", passando logo a desempenhar as funções de redator, e aí permaneceu até 1939, acumulando as suas atividades de comerciário e jornalista.

Desde 1928 colabora na "Folha do Norte" e na "Folha Vespertina". E tudo que tem publicado, desde aquela época até agora, com exclusão de mosáicos, tenciona reunir em livro, que será dado à publicidade oportunamente.

Da sua prosa escorreita e fluente brota um lidimo sentido humano que penetra as almas de profunda e perdurável emoção.

Fonte: Orelha do livro Mosáicos, 1945.

"(...) sua consagração, obteve-a com a publicação de 'Mosaicos', livro de pensamentos,
em que Júlio Colares se iguala aos maiores filósofos brasileiros.(ROCQUE, Carlos.
Grande Enciclopédia da Amazônia. Belém: Amel, 1968. Vol. 2, p. 527.)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

I-Juca-Pirama

É um poema épico-indianista de Gonçalves Dias (1823-1864). Publicado nos "Últimos Cantos" em 1851, apresenta 484 versos decassílabos e alexandrinos em dez cantos.

O título em língua tupi significa "o que há de ser morto", "que é digno de ser morto".

Para a leitura do poema na íntegra, clique aqui.

DIALOGANDO:

  • Curta-metragem I-Juca Pirama (Direção: Elvis Kleber/Ítalo Cajueiro)



  • Um índio (Caetano Veloso)

Um índio descerá de uma estrela
colorida brilhante
De uma estrela que virá numa
velocidade estonteante
E pousará no coração do Hemisfério
Sul na América num claro instante
Depois de exterminada a última
nação indígena
E o espírito dos pássaros, das fontes,
de água límpida
Mais avançado que a mais avançada
das mais avançadas das tecnologias
Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor,
em gesto, em cheiro, em sombra, em luz,
em som, magnífico
Num ponto equidistante entre o
Atlântico e o Pacífico
Do objeto sim, resplandecente, descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá,
fará, não sei dizer
Assim de um modo explícito
Virá
Impávido que em Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá
E aquilo que nesse momento se
revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado
oculto quando terá sido o óbvio

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Vida dos Himbas

Zimbábue

The Rolling Stones: 50 anos

Fundada em 25 de maio de 1962, a banda inglesa é uma das mais antigas em ação. Já vendeu mais de 200 milhões de álbuns.
Parabéns!







O desafio de ensinar Português

Por Gabriela Bueno   |   Revista Giz

Seja pelo fato da disciplina ter um grande volume de regras, variáveis e exceções, seja pela metodologia que a matéria é lecionada, o que pode dificultar o seu entendimento e aplicação, ministrar aulas de Língua Portuguesa é sempre um desafio para os docentes.

E engana-se quem imagina que essas dificuldades estão presentes apenas no Brasil. Em outros países lusófonos, como Portugal e Moçambique, elas também acontecem, mas adaptadas às respectivas realidades. Essas questões foram discutidas no 14º Congresso de Língua Portuguesa, evento que conta com o co-patrocínio do SINPRO-SP, e aconteceu no final de abril.

Conversamos com professores destes três países para saber como está a situação, e quais são as dificuldades, do ensino da Língua Portuguesa.

Sobre os desafios, um ponto em que todos os docentes concordam, ainda que com possíveis soluções diferentes, é que a forma de ensinar a Língua Portuguesa deveria ser modificada.

O Professor Doutor da USP, José Fiorin, acredita que o conteúdo não pode, ou deve, ser entendido como algo isolado, pois precisa fazer parte de um todo “Deveríamos formar leitores com proficiência, gente que seja capaz de produzir, e ler, textos claros e concisos. Hoje o ensino está voltado para a descrição da Língua. O professor se contenta em suas aulas em explicar a gramática, explicar o que é análise sintática, sintaxe, e etc.”, conta.

Contudo, a Professora Doutora da Universidade da Madeira em Portugal, Luísa Marinho Paolinelli, discorda de Fiorin e explica que em seu país a união de Língua Portuguesa e Literatura afastam o aluno de ambas as disciplinas e dificulta o ensino. “Em minha opinião pessoal, acredito que ganharíamos se separássemos o estudo da Língua Portuguesa do estudo do Texto Literário. A ideia de partir do texto artístico para aprender a sintaxe, a morfologia, etc. têm duas consequências nefastas: o aluno não gosta de gramática e o aluno não gosta de literatura. A língua é comunicação e a literatura é um dos muitos usos da língua.

O que acontece em Portugal é que se anda a ler Camões para caracterizar o sujeito das orações: se é simples, composto ou nulo subentendido.Ou para identificar os modificadores, as orações, os verbos e por aí fora. Para além disso, os escritores e poetas têm toda a liberdade de ser agramaticais.Vá-se estudar a pontuação a partir de José Saramago e veja-se a dificuldade” disse.

Fiorin acredita que no Brasil o ensino deveria ser redirecionado para que toda a aprendizagem esteja voltada ao aluno, “Não podemos nos restringir a uma gramática de descrições que se esgotam. Precisamos encontrar meios de ensino que ampliem tanto o conhecimento quando a maneira de que ele será utilizado. O aluno decora, mas deveríamos ensiná-lo a usar essas ferramentas, a escrever corretamente a partir delas”, diz o professor.

Ainda sobre os desafios, a Professora Doutora da Universidade Federal de Rondônia, Maria do Socorro Pessoa, aponta outra dificuldade no ensino da Língua Portuguesa no Brasil. Para ela, um dos maiores problemas está no reconhecimento das diferenças regionais brasileiras. “Penso que só há uma dificuldade: conscientizarmo-nos de que não podemos insistir no ensino do Português Europeu. O Português Europeu é apenas a nossa fonte histórica, de tradição, mas, precisamos considerar nossa multiculturalidade, nossas imensas variações dialetais, nossa expressividade e sonoridade tão particularizadoras e tão nossas”.

Segundo ela é preciso aproximar o ensino da Língua para a realidade de cada lugar e assim desmistifica-la, “Precisamos ensinar a Língua Portuguesa de modo a que nos orgulhemos dela, sem considerá-la complicada ou difícil. Os cursos que formam Professores precisam modernizar-se… Em todo o país e não apenas nos grandes centros. Tenho uma proposta de ensino da Língua Portuguesa cujo material didático seja os mapas geográficos, históricos, temáticos e políticos, no sentido de que, se visualizarmos nossos lugares e nossas gentes nesses mapas seremos capazes de ler sobre eles, escrever sobre eles, conhecer as maneiras particularizadoras de serem”.

Tecnologia Dentro desse processo de reformulação do ensino da Língua Portuguesa está o uso das novas tecnologias no processo de aprendizagem. O assunto, devido a sua importância e atualidade, gera opiniões divergentes.

O Professor Catedrático Armando Jorge Lopes, da Universidade de Maputo, em Moçambique, fala sobre seu primeiro contato com as novas tecnologias no processo de ensino, e o seu estranhamento diante daquilo.

“Pessoalmente, senti-me violentado com as bruscas transições, da caneta de tinta permanente e da ardósia quando ensinava, para o primeiro computador que usei na Inglaterra, gravando somente uma linha por vez e que pesava uns oito quilos! Depois fui me habituando, embora não totalmente, aos novos tempos que trouxeram avanços inimagináveis no domínio da infotecnologia”, conta.

Lopes explica que em seu país o domínio da infotecnologia, na sua aplicação ao uso de línguas, encontra-se muito no início, contudo acredita que em breve acontecerão avanços científicos e educativos em Moçambique. “Para o futuro, acredito com programas de Língua contextualizados à cultura e realidade moçambicanas. A infotecnologia vai certamente influenciar no ensino da Língua Portuguesa nos diversos continentes e é melhor prepararmo-nos para esse efeito”.

Acerca do tema em questão, Fiorin é mais tradicional e aponta para um importante fato, não se deve apenas sustentar o ensino do Português na infotecnologia em detrimento da aprendizagem tradicional. “A tecnologia no ensino da Língua deve vir como ferramenta. É um mito pensarmos que primeiro vamos usar a tecnologia e depois aprender algo. É um processo inverso, você primeiro deve aprender a Língua e depois utiliza-la na rede”.

Para a Professora Doutora da PUC e Mackenzie, e organizadora do Congresso de Língua Portuguesa, Neusa Maria Bastos, os avanços tecnológicos não podem mais ser ignorados e precisam ser incorporados nas aulas e no processo de aprendizagem. “A infotecnologia influencia todos os movimentos humanos hoje em dia, sendo assim, a Língua Portuguesa que é utilizada por duzentos milhões de falantes deve ser ensinada também se visando à comunicação via redes sociais, por exemplo. Há um novo registro para essa mídia e isso deve ser considerado no ensino de língua materna”.

Assim como Bastos, a Doutora Luísa Marinho Paolinelli concorda que a infotecnologia tem um papel importante. Ela explica que o advento desses novos recursos representa a queda de barreiras físicas no processo de ensino e o possível aumento de formas de aprendizagem.

“A tecnologia permite poder chegar a mais alunos em menor tempo, possibilita a aprendizagem da língua através de meios atraentes e é um importante instrumento no ensino do Português como língua estrangeira. Haverá, assim, uma maior facilidade de uso nos vários países da lusofonia das tecnologias de educação e aprendizagem, com muitas vantagens para os países que apresentam maiores dificuldades sociais e econômicas”, conta.

Já a Professora Maria Socorro pondera sobre o assunto e acredita no uso da tecnologia como ponte de troca de cultura e conhecimento. “Na atual mundialização, uma vez que já ultrapassamos a fase de globalização, é preciso que usemos, sempre, a infotecnologia no Ensino de Língua Portuguesa para produzirmos e fazermos produzir novos conhecimentos, inclusive àqueles de parâmetros de comparação da nossa língua com outras maneiras de expressão dos povos lusófonos, de modo a sabermos utilizar todo o material de pesquisa e/ou instrucional à disposição através do manuseio dos recursos infotecnológicos. Ou ficaremos desatualizados e sem parâmetros de avaliação do nosso fazer pedagógico” disse Socorro.


Gabriela Bueno - Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e editora assistente da Revista Giz.

Naná Nascimento comenta a importância da Copa do Mundo na África do Sul

Sombrinha e Fabiana Cozza falam da influência africana na música brasileira

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...