quarta-feira, 27 de abril de 2011

Verissimo: "Defesa contra estrangeirismos é se dar conta do ridículo"

Claudio Leal / Terra Magazine

Luis Fernando Verissimo vê "pou-
co futuro" para o projeto de lei do
deputado   gaúcho   Raul   Carrion
contra estrangeirismos.
Foto: Marcel lo Casal Jr. /
           Agência Brasil
Fonte de polêmica no Rio Grande do Sul, o projeto de lei do deputado estadual Raul Carrion (PCdoB) contra estrangeirismos não é considerado de "aplicação muito prática" pelo escritor Luis Fernando Verissimo, 74 anos.

Aprovado por 26 a 24 votos, na Assembleia gaúcha, o projeto proíbe o uso de palavras de outros idiomas - em propagandas, na mídia e em documentos oficiais - sem o acompanhamento de uma tradução, quando houver equivalente em língua portuguesa.

"Admiro o deputado Raul Carrion e compartilho da sua preocupação com a invasão de estrangeirismos na nossa língua, essa evidência especialmente ridícula de colonialismo cultural. Mas vejo pouco futuro para a sua lei, cuja aplicação não seria muito prática", afirma Verissimo, um dos autores brasileiros mais lidos na atualidade, em resposta a Terra Magazine.

Questionado se a língua portuguesa precisa ser defendida, o escritor gaúcho ironiza: "A única maneira de defender a língua portuguesa dos estrangeirismos é confiar que as pessoas eventualmente se deem conta do ridículo."

O deputado Carrion critica os brasileiros que escrevem "mesclando palavras em inglês", por "ignorância em relação ao português". "Uma coisa de papagaio, de macaquinho, de modismo", atacou o militante o comunista.

A lei aprovada não se aplica a nomes próprios. O governador Tarso Genro (PT) antecipou que, se vetar o texto enviado pelos deputados, vai apresentar uma nova proposta de "valorização da língua portuguesa".

terça-feira, 26 de abril de 2011

Só dois falam idioma. Estão brigados

Jornal da Tarde


Os últimos falantes do ayapaneco não conversam mais e idioma corre o risco de morrer


O ayapaneco, uma das 364 variantes linguísticas que existiam no México, corre o risco de morrer. Restam apenas dois habitantes da região de Tabasco (sul do país), último reduto do idioma, que ainda falam a língua. Mas eles estão há anos brigados e se recusam a reatar a amizade.
 
  Segovia: ‘Língua morre comigo’
Manuel Segovia, de 75 años, e Isidro Velazquez, 69 anos - que vivem a 500 metros de distância um do outro, na cidade de Ayapa -, são as últimas testemunhas da língua indígena, que tem sua origem na cidade de Jalapa de Méndez.

Por séculos, o ayapaneco foi um idioma falado por milhares de pessoas. A língua sobreviveu à conquista dos espanhóis, a guerras, enchentes e pestes, mas poderá não resistir à briga entre Segovia e Velazquez. "Quando eu era jovem, todos falavam ayapaneco. Aos poucos, o idioma foi sumindo e, agora, acho que vai morrer comigo", disse Segovia ao jornal britânico The Guardian.

Sem jamais tocar no nome do desafeto, ele conta que costumava bater papo no idioma com seu irmão, que morreu há dez anos. Segovia continua conversando com a mulher e os filhos, que segundo ele não são bem fluentes em ayapaneco.

Em janeiro, para poder gravar uma conversação no idioma, estudiosos americanos tentaram convencer Velazquez e Segovia a se encontrar. Foi a última vez que se viram. Nenhum foi convencido pelos americanos a expor os motivos da briga que tiveram para chegar a um acordo.

Segundo o Instituto Nacional De Línguas Indígenas (INALI), em meados do século 20 havia cerca de 8 mil famílias ayapanecas. A partir da construção da rodovia que liga as regiões de Villahermosa a Comacalco, os moradores começaram a abandonar Ayapa. A língua, então, começou a se extinguir.

"O tempo e o progresso transformaram o povoado, as pessoas foram trabalhar mais longe e começaram a se habituar a outros costumes. Por vergonha ou ignorância, ninguém ensinou a língua aos filhos que nasciam. Quando morrermos, a língua também morrerá", disse Segovia.



De acordo com dados socioeconômicos do instituto relativos aos povos da região de Tabasco, cerca de 10 mil indígenas perderam seu idioma materno desde 2000. Entre os povos mais afetados pelo problemas estão potlapigu, guazapar, mocorito, cocoa, ure, zacateca, zuaque, sabaibo y ahome.

Para evitar a extinção dos idiomas primitivos que ainda restam, o linguista Daniel Suslak, na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, pretende fazer um dicionário de ayapaneco com a ajuda dos dois falantes turrões.

Além disso, o Instituto Nacional Indígena, do México, quer organizar aulas de ayapaneco com Segovia e Velazquez. Mais uma vez, os estudiosos esperam que eles se entendam para evitar a morte do idioma.

sábado, 16 de abril de 2011

Ápio Campos

Depois de uma longa caminhada, ontem (15) descansou ÁPIO CAMPOS PAES COSTA. Nascido em 07 de julho de 1927, na capital paraense, foi poeta, contista, ensaísta, cronista, jornalista, professor, padre, cônego e amou a Vida, sendo considerado o padre-poeta.
Ápio Campos era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e da Academia Paraense de Letras (cadeira nº 30; patrono: Manuel Barata). Lecionou no Instituto Educacional do Pará (IEP), Colégio "Paes de Carvalho" e Seminário S. Pio X. Também exerceu o magistério superior, ministrando as disciplinas Filologia Românica da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Pará, Língua Portuguesa no Centro de Estudos Superiores do Pará (CESEP), História da Linguística na Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador de Teologia na Universidade da Amazônia (UNAMA).
Livros: Marítimas (Poesia; 1955), Aquele padre velhinho (ficção; 1956), Cítaras em surdina (poemas; 1957; Menção Honrosa/Academia Paraense de Letras), Rosa super rivos (poemas em latim; 1958; Prêmio Santa Helena Magno/Governo do Pará), Olhos dentro da noite (contos; 1959; Prêmio Terêncío Porto/Academia Paraense de Letras), Canto agônico (poemas; 1960), Catecismo eleitoral cristão (doutrina social católica; 1960), Hora do ângelus (crônicas trasmitidas pela Rádio Clube do Pará; 1962), A batina no banco dos réus (ensaio; 1963), Pastoral das sombras (poemas; 1965), Fandango (contos; 1967), Problemas de educação e desenvolvimento na Amazônia (ensaios; 1968), Renascer pela água e pelo espírito (exposição sobre o batismo; 1970), Crise ou falência da educação cristã? (ensaio; 1971), O verbo e o texto (estudos linguísticos e literários; 1979), Transpoema (poemas; 1979), Universidade: Linguagem e Desenvolvimento (ensaios; 1980), Árvore do tempo (poemas; 1980), Universidade: Pesquisa e Pós-graduação (ensaios; 1981), Trevos e travos (trovas; 1982), Cantigas pro menino (poemas; 1995), Os anjos descem no rio (contos; 1996), Ponte sobre as horas (poemas; 1999).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ministra da Cultura defende lei que preserve tradição oral do país

Vladimir Platonow

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, defendeu hoje (15) a aprovação de uma lei que garanta a preservação da tradição oral brasileira. O assunto foi debatido durante o Encontro Nacional da Rede Ação Griô, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio. Os griôs são pessoas detentoras das histórias de um povo, repassadas oralmente através das gerações.

“Os griôs trazem tradição oral das suas raízes africanas e indígenas que mais influenciaram a cultura popular brasileira. Eles trouxeram por séculos essa tradição e esse conhecimento, passando de pai para filho, e isso tem que ser apoiado. Eles estão propondo uma lei e nós vamos ver como podemos trabalhar juntos”, disse a ministra.

A Lei Griô Nacional foi eleita como uma das 32 prioridades do Ministério da Cultura (MinC), durante a Conferência Nacional de Cultura, realizada em março de 2010. O objetivo é instituir uma política nacional de transmissão de saberes e fazeres de tradição oral.

A aprovação da Lei Griô também foi defendida pela secretária de Cidadania e Diversidade do MinC, Marta Porto. “A lei vai dar estabilidade para os movimentos culturais. No caso dos griôs, é de suma importância, porque a tradição oral não está escrita nem regulamentada, mas exige de nós uma atenção especial em fazer disso uma política de Estado.”

De acordo com a história, os griôs surgiram há 4 mil anos, na Região Sul do Saara africano. Eles eram contadores de histórias ou trovadores que iam de um lugar a outro levando informações registradas apenas na memória, sem qualquer uso da escrita. No Brasil, os griôs ainda existem, principalmente em municípios do interior, ajudando a preservar a cultura popular por meio da oralidade.

Edição: João Carlos Rodrigues